FUSILLI COM MOLHO DE LINGUIÇAS AO VINHO TINTO

Comida italiana é para mim a perfeição da simplicidade (ou seria a simplicidade da perfeição?). Não importa quantas vezes eu coma, ainda acho difícil achar algo no mundo tão perfeito quanto um bom molho sugo – a sintonia ideal entre azeite, cebolas, alhos e tomates italianos explodindo de maduros, adocicados e escandalosamente vermelhos (um dos meus alimentos preferidos neste mundo), tudo finalizado com manjericão fresco e seu perfume arrasador. E, como se não fosse bom o suficiente, essa mistura fascinante ainda vem a se juntar, em nossos pratos de “pasta”, com parmesão ralado: a sublimação da perfeição.


Como disse o Gordon Ramsay dia desses em seu programa de TV, na cozinha italiana, os astros são os ingredientes, não o chef. Tenha os ingredientes certos, frescos e no ponto, sejam legumes, ervas, carne, peixe ou frutos do mar, e fica por sua conta misturá-los à vontade e, depois, à sua massa ou risoto preferido, sem necessidade de horas de preparo nem conhecimento de grandes técnicas culinárias. Não há muito o que dar errado, e as possibilidades são infinitas.


Não é difícil entender porque os italianos são tão apaixonados...


É claro que não como massas e risotos todo dia (afinal, minha intenção não é passar de aprendiz de cozinheira a uma verdadeira porpeta, minha gente!), mas domingo é o dia que eu estipulei pra mim mesma que massas e outras comidas clandestinas no cardápio da nutricionista estão liberadas. Afinal, ninguém é de ferro, e comer o mais certinho que consigo durante toda a semana tem que ter lá as suas recompensas. E, no final, uma coisa equilibra a outra.


Por outro lado, gosto bastante de massas integrais e já faz algum tempo que as uso quase que exclusivamente, o que já ajuda bastante. Não custa experimentar, pois são boas de verdade e mais nutritivas.


Neste domingão, o fusilli foi o escolhido. Com um molho de linguiças desfeitas, vinho, azeitonas pretas e tomates. Meio que inspirado em uma receita do Jamie Oliver com as linguiças, que lembrava meio de cabeça, mas a dele levava cenoura e aipo, e não tinha vinho nem azeitonas. Ou seja, da receita dele (muito boa por sinal), ficou quase só a inspiração mesmo...


Quanto aos tomates – my precious! – se é verdade que não moramos numa villa no interior da Itália, como a mocinha do Sob o Sol da Toscana, com pencas de tomates maduros e perfeitos plantados perto da porta da cozinha, por outro lado, temos a salvação dos tomates pelados enlatados. Eles são uma ótima opção quando não há bons tomates no mercado, porque são frutos de ótima qualidade, colhidos no momento ideal da sua madureza e conservados a vácuo. Muitas marcas não usam qualquer conservador. Prefira estas, que tem como ingredientes apenas tomates e suco de tomate. Além disso, eles duram uma eternidade na despensa para serem usados a qualquer momento, quando der aquela fome de Itália.


Bônus: sim, eu sou aquela pessoa maluca que incorpora o espírito do que está cozinhando e serve massa fumegante à mesa de domingo, com olhinhos semicerrados calmos e ameaçadores de Dom Corleone, falando com sotaque italiano falso e imitando a voz do Marlon Brando no Poderoso Chefão: “never go against the family” :/



FUSILLI COM MOLHO DE LINGUIÇAS AO VINHO TINTO


160 gramas de fusilli (usei integral)

4 linguiças toscanas pequenas de boa qualidade ou 2 grandes (DICA: a toscana Wessel é ótima e vale a pena! A Sadia e a Aurora tem muita gordura para serem usadas abertas na minha opinião)

1 cebola média picada (em pedaços não muito pequenos)

3 dentes de alho grandes amassados

1 colher (chá) de aceto balsâmico

1 colher (chá) de erva-doce seca

2 colheres (sopa) de orégano

1/3 colher (chá) de pimenta calabresa

4 colheres (sopa) de azeitonas pretas picadas, sem caroço

1 copo (uns 200 ml) de vinho tinto de sua preferência (ou da garrafa que já tiver aberta em casa, como eu...)

1 lata de tomates pelados (ou uns 6 tomates italianos, muito, muito maduros)

4 colheres (sopa) de parmesão ralado (de preferência, na hora) e mais um pouco, para servir

2 colheres (sopa) de azeite de oliva

Salsinha a gosto


Coloque água para ferver em uma panela (para o macarrão).


Abra as linguiças e descarte a película que as envolve. Amasse-as grosseiramente. Na receita que me inspirou, o Jamie Oliver mandava processá-las (e o molho fica ótimo assim também), mas como eu queria um molho mais rústico (e também, confesso, estava com preguiça de usar o processador), simplesmente amassei com o garfo, deixando alguns pedacinhos pequenos inteiros.


Numa frigideira grande antiaderente, refogue as cebolas no azeite em fogo baixo e, quando estiverem transparentes, junte o alho (mexendo para não queimar). Com tudo refogado, junte as linguiças, o aceto balsâmico, a erva-doce, a pimenta e deixe dourar por cinco minutos. Após, junte as azeitonas e deixe dourar por mais uns cinco minutos.


Enquanto isso, cozinhe o fusilli com sal até ficar al dente (quando a massa já está macia, mas você ainda pode sentir uma resistência ao mordê-la). Se ficarem prontos e o molho ainda não estiver pronto, escorra-os (mas reserve uma concha da água do cozimento) e espalhe uma colher de chá de manteiga para não grudarem (dica do meu tio Fausto que nunca esqueci!).


Assim que a linguiça estiver dourada, jogue o vinho e delicie-se com o aroma que vai invadir sua cozinha (meu Deus, essa é a melhor parte!). Mantenha em fogo baixo até que o vinho tenha reduzido para um caldinho grosso e pouco abundante.


Coloque, então, a lata de tomates pelados, picando os tomates grosseiramente na própria panela com uma colher e deixe cozinhar por mais alguns minutos.


Junte, então, o macarrão já cozido e uma concha da água de seu cozimento.


Desligue o fogo e coloque o parmesão ralado e a salsinha picada. Misture tudo e sirva em seguida (com mais queijo por cima, se desejar).


Rendimento: 2 boas porções


When the moon hits your eyes like a big pizza pie that´s amoreeee....

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