CAPONATA (NA FRIGIDEIRA) E DON CORLEONE (NO DVD)

Caponata de Berinjela de Panela (quente)
Poucos pratos são tão versáteis quanto caponata. Ou tão fáceis. Ou tão deliciosos. Ou tão sicilianos...


Quando penso na Sicília, logo me vem à cabeça: caponata e Dom Corleone. Ambos lá nascidos e criados. Ambos minhas paixões!


Caponata na mesa, Dom Corleone no DVD. Na pele do Marlon Brando ou do Robert De Niro (quando é mais novinho), o gângster mor do O Poderoso Chefão, il padrino. Filme pelo qual sou meio que maníaca, como já deve ter dado para notar... :)


Para mim (e para uma grande parte do mundo, segundo consta), um dos melhores de todos os tempos e insuperável no gênero “máfia” (tanto o I como o II; o III? Deixa pra lá e esquece que existe...). Sabe aquele filme que você assiste, assiste e assiste, e continua achando todas as cenas, a história, todos os atores e a direção simplesmente perfeitos? É este!


Mas eis que toda vez que penso no filme, fico inconformada de pensar em por que cargas d’água o título foi traduzido no Brasil para O Poderoso Chefão?? O título original (do livro e do filme) é The Godfather, ou seja, “O Padrinho”, tem tudo a ver com o filme e, convenhamos, é muito melhor do que (o ridículo) “O Poderoso Chefão". Mario Puzo não deve ter gostado nem um pouco... Poveretto!


E é assim com vários filmes! Nunca entendi o porquê. O autor escreve o filme (ou o livro), pensa no nome com todo o cuidado, o diretor filma, fica meses aprimorando sua obra. Aí vem para o Brasil, um mané sei lá quem (quem será que faz isso? algum cara das distribuidoras de filmes, talvez? fiquei curiosa) em vez de se limitar a traduzir o nome dado pelos “pais” à cria, tira da própria cabeça um nome brega e nada a ver com a história. E surgem as pérolas... Roman Holiday vira a “A Princesa e O Plebeu”, Breakfast at Tiffany's é “Bonequinha de Luxo”, The Sound of the Music se torna “A Noviça Rebelde”, Ocean's Eleven, "Onze Homens e um Segredo". Oi??!! É muita falta de senso. E o que mais me deixa aflita: completamente desnecessário!


Sou contra a mudança do original mesmo quando a tradução literal não é possível no nosso idioma (nesse caso, se nada pode traduzir corretamente, deixa o original, oras!). Quanto mais quando a tradução do nome e seu contexto é plenamente possível.


Revoltadinha? Um pouco, vai... Mas em se tratando de cinema, ninguém pode me culpar... Afinal, bons filmes são obras de arte. É tipo mudar o nome da Monalisa para “Maria Elisa, Um Retrato Muito Louco”. E pichar o nome novo no quadro. Com tinta vermelha. Já consigo ver o narrador da Globo anunciando na Sessão da Tarde. Ah, tudo bem, seria um pouquinhooo diferente... Mas que é desrespeito com o filme fazer isso, ah, isso é! Se Don Corleone soubesse, coitado do tradutor...


Bom, mas deixando a aberração das traduções dos filmes de lado, voltemos à caponata, estrela da noite de hoje.


Existem várias maneiras de se prepará-la. Pode ser no forno ou na panela. Quanto aos ingredientes, a base é de berinjelas e azeite de oliva, mas os demais ingredientes podem variar muito. Variam de acordo com a receita e o gosto pessoal de cada um.


Pode ser servida fria, na forma de antipasto, acompanhando pães. Ou quente, como acompanhamento nas refeições.


Já deu para perceber que não existem muitas regras, característica que eu realmente prezo na cozinha (porque de regras inúteis já bastam todas as outras da vida). Mas, para o meu gosto, eu prefiro as caponatas feitas no forno, e sem tomates, como entrada fria (prometo postar uma receita ótima de forno em breve), em cima de belas fatias de pão italiano. E as feitas no fogão e que levam tomates (como esta aqui), servidas quentes. Como acompanhamento de carnes ou como molho de massas e polenta.


Esta receita é muitíssimo gostosa. É do livro Jamie Oliver na Itália (que eu adoro, por sinal, e tem sido muito útil por aqui, recomendo muito). Ele põe como opcional mais 2 colheres (sopa) de lascas de amêndoas ligeiramente tostadas, que podem ser salpicadas ao final (não usei).


Com O Poderoso Chefão a postos no DVD para entrar no clima da Sicília, preparei esta bela caponata (que deixa não só a cozinha, mas a casa toda com um cheiro ma-ra-vi-lho-so), e todos comeram na sala, com carne assada e uma boa taça de vinho tinto, atentos ao que Dom Corleone tinha a dizer à famiglia...


* Atualização de post: um dia depois de escrever este post, fui arrumar meus DVDs e encontrei mais pérolas: 12 Angry Men virou "12 Homens e Uma Sentença" e - pasmem! - The Seven Year Itch se converteu em "O Pecado Mora ao Lado". Pobre Marilyn Monroe...


CAPONATA (do livro Jamie Oliver na Itália)


2 berinjelas grandes cortadas em pedaços grandes (não corte pequenos, pois vão ficar encharcadas)

Azeite ou óleo de oliva

1 colher (chá) cheia de orégano seco

1 cebola roxa pequena picada finamente

2 dentes de alho fatiados finamente

1 maço de salsinha fresca picada, separe folhas e talos e pique tudo finamente

2 colheres (sopa) de alcaparras em conserva, enxaguadas, deixadas de molho e, depois, escorridas

1 punhado de azeitonas verdes sem caroço (eu cortei em quartos)

2 a 3 colheres (sopa) de vinagre de ervas de boa qualidade

5 tomates grandes maduros picados grosseiramente

(opcional: 2 colheres de lascas de amêndoas, ligeiramente tostadas – não usei)

Sal e pimenta-do-reino preta moída na hora


Em uma panela grande (o melhor é uma frigideira grande antiaderente), aqueça um pouco de azeite ou óleo de oliva e junte a berinjela com o orégano, tempere com um pouco de sal e pimenta-do-reino e mexa até que tudo esteja envolvido pelo azeite. Cozinhe por 4-5 minutos, sacudindo bem a panela de vez em quando, até que a berinjela esteja dourada uniformemente.


Acrescente, então, a cebola, o alho e os talos de salsinha e cozinhe por mais alguns minutos. Se a berinjela estiver ficando muito ressecada, vá colocando um pouco mais de azeite. Mas deixe que a cebola solte um pouco de água antes de decidir quando será necessário.


Junte, agora, as alcaparras escorridas, borrife um pouco de vinagre (e delicie-se com esse aroma que, sério, é mágico!). Quando o vinagre tiver evaporado, que venham os tomates. Cozinhe por mais 15 minutos ou até que fiquem tenros.


Prove e, se necessário, corrija o sal, pimenta e vinagre.


Borrife um pouco de azeite de oliva e espalhe as folhas de salsa picadas.


Serve 4 pessoas.

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