PÃO-DE-LÓ DE BAUNILHA E SOUR CREAM, BRIGADEIRO DE GOIABADA, MANGAS E MIRTILOS, E O TAL DO FORNO ELÉT


Mudei não tem muito tempo de uma casa grande para um apartamento. E o espaço que eu tenho agora na cozinha só me permitia um forno de embutir. Dei uma pesquisada na internet e por aí, perguntei para uns e outros e, no fim, me decidi por um forno elétrico. Antes, tinha um a gás, normal, do fogão. Pelo que vi, a temperatura do elétrico é uniforme, distribuída por igual e, além disso, é mais potente... Bom para doces (que exigem temperaturas exatas) e forte para outros usos (que dependem de potência). Fechou! Vai ser esse!


Chega o forno. É colocado no lugar. Ficou bonito! No dia seguinte, e nem um a mais, já fui eu, toda contente testar a novidade.


Escolho um pão-de-ló de baunilha, com sour cream na receita, que dá muito certo, fica bem fofinho, sabor bem equilibrado. Sonho com o primeiro bolo no apartamento novo. Com esse fornão, vai sair lindo, com certeza!


Peso e separo tudo com a alegria de uma criança brincando com o brinquedo novo no Natal. Bato tudo, analiso a massa. Está macia, com cheiro de baunilha e uma cara ótima. Enfim, vai pra dentro do forno. 180 graus cravados, como manda a receita (no meu forno antigo, a gás, dava certo com o botão no 200 graus). Agora sim, as temperaturas das receitas hão de dar certo, penso eu.


E então... O bolinho não cresce muito... Decepção! E, por isso, a massa fica meio pesada. E não fofinha, como deveria ser. Sinto uma raivinha e lembro do meu forno antigo que, pelo menos, eu já conhecia bem, apesar de lentinho...


Mas aí eu dou uma pesquisada na internet e vejo que quase todo mundo apanha mesmo do forno elétrico no começo. E joga fora muito bolo solado ou desmoronado. Começo a achar que o meu não está de todo ruim... Não está soladão. E comida eu não jogo no lixo de jeito nenhum!! Podia não estar perfeito, mas estava gostoso e cozido por inteiro, ainda que baixotinho!


Meu avô andou me contando umas histórias sobre a comida numa época difícil para a Espanha, durante a Guerra Civil, e agora eu tenho vergonha de jogar comida no lixo. Ainda mais algo bom!


Segue então o projeto bolinho. E me animo a descobrir os segredos do forno novo nas próximas tentativas. Nem que seja na milésima!


Como eu queria um bolo com frutas frescas, e havia mangas e um pouco de mirtilos para serem usados urgentemente na geladeira, sabia que a cobertura seria essa. Bolo e frutas = carinha de vovó. Adoro! A decoração das mangas foi inspirada num post do (ótimo) blog La Cucinetta que, desde que vi, fiquei vidrada de tão bonita.


Mas havia também uma goiabada, aliás uma não, "a" goiabada! Caseira, purinha, feita pela minha sogra Marisa (que manja muito de cozinha, e sempre me inspirou, sobretudo na cozinha natureba), especialmente para mim, que devo ser uma das únicas pessoas da face da Terra que gosta de goiabada sem açúcar nenhum. Só goiaba apurada e mais nada.


Fiz então um tipo de um brigadeiro com ela e me surpreendi de tão bom! A consistência é perfeita para cobrir e rechear bolos. E muito saboroso!


Cobri com a goiabada-brigadeiro e, por cima de tudo, top de mangas frescas fatiadas e mirtilos.


E não é que o pão-de-ló pequenininho virou gente grande? Era o café da tarde que eu queria! Lindo, gostoso e fresquinho, ainda que não perfeito! :)


Isso me lembrou de uma campanha que eu vi um tempinho atrás, na França, que mostrava umas fotos de uns legumes feinhos e deformados em poses sexys... Muito engraçado, pedindo para que as pessoas não deixassem de comprá-los só por serem esquisitos. Afinal, eram tão gostosos quanto um legume bonito. E a razão da campanha é que muita, mas muita comida boa vai para o lixo no mundo por ser desprezada comercialmente apenas pela forma feia. Nunca tinha pensado nisso, mas não é mesmo?! Ninguém compra a cenoura torta... E muitos mercados mandam para o lixo o que não tem valor comercial, ao invés de distribuir a quem precisa. Absurdo, revoltante e triste!


Mas voltando à saga do forno elétrico, não desisti. Afinal, não tenho outra opção, tenho que dominar o forno ou... adeus bolos! rs


Comemos o primeiro bolo, fomos viajar por alguns dias e, na volta... Tentei a mesma receita. Agora, programando para aquecimento duplo - inferior e superior - e temperatura a 165 graus. Deu um medinho, mas lá fui eu e, 40 minutos depois... perfeição, perfeição, perfeição!


Deu certo! Agora sim era o pão-de-ló fofinho que eu conhecia! Fiquei super feliz e, pelo menos para pão-de-ló, eu descobri: 165 graus é a temperatura perfeita no forno elétrico! Eba! Os outros bolos, eu vou contando...


Outra dica muito boa para pão-de-ló (pelo menos sempre que faço dá certo) é untar apenas o fundo da forma, colocar papel manteiga e tal. Mas não untar as laterais. É que se trata de um bolo tão delicado que às vezes cresce no forno, mas diminui ao esfriar. Não untar dos lados faz com ele dê uma grudada nas laterais e ajuda a evitar que as bolhinhas de ar de dentro do bolo não se desfaçam. Unte no máximo a altura de um dedo da lateral.


Da segunda vez, fiz sem cobertura. Apenas um creme batido de limão e açúcar cristal, com raspinhas de limão siciliano, bem refrescante, para servir gelado e separado, acompanhando o bolo (mais ou menos um sour cream adoçado). A foto do bolo vitorioso e a receita do creme estão no próximo post.


PÃO-DE-LÓ DE BAUNILHA

(Massa beeeem adaptada do Bolo "Deixe-os Comer Bolo", da Lorraine Pascale, livro Cozinha Rápida e Fácil que, no original, era de chocolate e o modo de fazer diferente, então... nem sei se pode ser chamado de adaptação)


150 gramas de manteiga sem sal em temperatura ambiente


200 gramas de açúcar


200 gramas de farinha com fermento peneirada (como nunca compro dessa, fiz misturando 1/2 colher de chá de sal à farinha já peneirada)


125 gramas de sour cream (creme azedo), que fiz juntando 1 colher de sopa de suco de limão a 125g de creme de leite e deixando fora da geladeira, em um lugar quentinho da cozinha por no mínimo 30 minutos (a receita correta de sour cream é com creme de leite fresco, que eu sempre usei, até um dia em que não tinha em casa e vi que, para este bolo, dá certo com creme de leite enlatado, que eu usei desta vez, inclusive)


4 ovos médios em temperatura ambiente


1 colher (chá) de fermento em pó químico


1 1/4 colher (chá) de extrato de baunilha


1 pitada de sal


Unte o fundo de uma forma redonda de 20 cm de diâmetro com manteiga, forre o fundo com papel manteiga e unte novamente por cima do papel. Nas laterais, unte apenas um dedo de altura a partir do fundo.


Bata a manteiga com o açúcar até obter um creme macio e homogêneo.


Junte os ovos, um a um, batendo até incorporar a cada adição.


Acrescente o sour cream, o extrato de baunilha e o sal. Bata apenas para misturar e então vá colocando, pouco a pouco, sem parar de bater, a farinha.


Desligue a batedeira e junte o fermento. Bata só mais um nadinha, apenas para misturar. Fermento não gosta de ficar chacoalhando muito.


Despeje na forma já untada, uniformize com uma colher ou espátula e leve ao forno pré-aquecido a 180 graus OU se forno elétrico, aquecimento superior e inferior, a 165 graus, por 40-45 minutos ou até que a massa fique dourada e, espetando um palito no centro até o fundo, ele saia limpo.



BRIGADEIRO DE GOIABADA


1 lata de leite condensado

2 colheres (chá) de manteiga sem sal

1+1/4 de xícara de goiabada cremosa (usei caseira sem açúcar, mas certamente fica bom com qualquer goiabada cremosa, a gosto)

1/4 xícara de creme de leite fresco


Leve todos os ingredientes, exceto o creme de leite a uma panela para cozinhar, em fogo baixo, até o ponto de brigadeiro (até desgrudar do fundo da panela).


Junte, então, o creme de leite e mexa até incorporar. Após, desligue o fogo e deixe esfriar um pouco para cobrir ou rechear bolos.

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