MOUSSE DE CHOCOLATE E CAFÉ ESPRESSO (sem ovos)


Todo ano, vem o outono, aquele friozinho bom começando. E, inversamente proporcional a cada grau que vai baixando no termômetro, vem a minha vontade de comer doces, que vai aumentando junto com o frio.


"Ah, mas é pra isso que me guardei o verão inteiro, afinal" - repito para mim mesma, evitando o meu próprio olhar no espelho, sem acreditar muito na (tentativa de) justificativa para minha abusada autocondescendência. Enquanto me afundo em pilhas de chocolate. "Ah, mas quase que só como chocolate no inverno, no verão gosto mais de sobremesas de frutas", tento de novo em vão, alimentando o ciclo desculpa-sobremesa. E assim vão esfriando os dias. E aumentando as pilhas de chocolate na minha dispensa.


Para que tudo (principalmente eu) não se transforme numa total festa do caqui, criei (mais uma) regra própria: se no verão faço sobremesa em casa no máximo umas duas vezes por mês (o que não significa, absolutamente, que eu não possa comê-las fora de casa se algo valer realmente a pena), no inverno, a regra é clara, Arnaldo: uma vez por semana de doces diversões culinárias e tá tudo certo. Desde que eu malhe e coma direito durante a semana. E desde que as porções produzidas sejam decentes para as duas pessoas que somos aqui em casa, e não suficientes para alimentar a aldeia toda do Obelix.


Meu, eu poderia completar umas 600 moleskines inteiras com todos os complexos sisteminhas de regras que criei para mim mesma nos últimos trinta anos. E mais umas 500 com os que abandonei depois de uns dias. Mas essa regra do inverno e sobremesa vem durando. Porque realmente dá certo, e minha circunferência abdominal agradece! (será mais uma do ciclo desculpa-sobremesa?!?!!).


Mas, enfim, eis que justamente quando estou passando por esse momento de encantamento com as noites que começam a ficar frescas no outono ("winter is coming", digo em voz alta, desenterrando os lenços de pescoço e cachecóis do armário, e tentando me lembrar em qual livro parei mesmo da Guerra dos Tronos), dia chuvoso, me deparo com um livro novo (ao menos para mim) de ninguém menos que David Lebovitz. O confeiteiro mais fofo, engraçado e gente boa que bem poderia ser meu vizinho (ah, peraí, eu não moro em Paris...).


Em "A Doce Vida em Paris", Lebovitz conta em espirituosos e divertíssimos textos-capítulos a saga dele próprio, um confeiteiro americano que, a uma certa altura da vida, resolveu se mudar para Paris. Histórias reais deliciosas e a visão de um estrangeiro sobre o, digamos, "peculiar" comportamento dos parisienses e suas indecifráveis e intricadas regras de etiqueta.


E, de bônus (mas que, na verdade, vale tanto quanto a ótima leitura), no final de cada capítulo, há várias receitinhas francesas by Lebovitz. Que achei ótimas e - o mais desejável em se tratando de receitas francesas - totalmente factíveis, mesmo para cozinheiros não profissionais como nós, sem pós-doutorado na Lenôtre.


Este mousse é uma delas, a primeira que testei. E, como minha intuição já me dizia, aprovei.


O David dá a receita tradicional do Mousse au Chocolat, com ovos crus (claras e gemas) e também uma versão sem ovos, que foi a que testei.


Como pessoa meio que portadora do "pânico do ovo cru" que sou (se bem que agora já tenho coragem de comer doces com claras em neve cruas, desde que beeeem feitos), adorei a opção.


Fica menos aerado que o mousse tradicional, menos denso também. Porém com uma consistência excelente e o sabor, divino. Considerando que não leva ovos crus (que eu evito), é um representante bem digno e já passei para o meu arquivo de receitas definitivas.



Winter is coming! Be happy!



Em tempo: se quiser fazer uma graça a mais, prepare em taças de margaritas e sirva com raminhos de hortelã para decorar. :)


É esta a receita. Enjoy!



MOUSSE DE CHOCOLATE E CAFÉ ESPRESSO (sem ovos), do livro A Doce Vida em Paris, do David Lebovitz


225 gramas de chocolate amargo ou meio amargo (usei este último), picado bem fino

4 colheres sopa (60 gramas) de manteiga com sal, em cubos

3 colheres sopa (45 ml) de café espresso (ou Chartreuse - um licor francês fabricado por monges, de fórmula misteriosa - ou outra bebida; substitua por água se não for usar nenhuma - nota mental: experimentar com tequila da próxima vez para ver se dá certo)

1/4 xícara (60 ml) de água

3/4 xícara (180 ml) de creme de leite fresco


Em uma tigela média posicionada em cima da boca de uma panela com água em ponto de ebulição (mas sem que o fundo da tigela toque a água), coloque o chocolate, a manteiga, o espresso (ou a outra bebida que estiver usando) e a água até que esteja tudo derretido e homogêneo. Retire do fogo e reserve.


Separadamente, bata o creme de leite fresco até engrossar e formar picos macios (ou seja, um pouco antes do ponto de chantilly).


Incorpore aproximadamente 1/3 do creme à mistura de chocolate para que fique mais leve e, após, o restante.


Cubra (usei filme plástico) e leve à geladeira por pelo menos 3 horas (mas achei melhor depois de toda a noite).


Rende de 4 a 6 porções.


Can't you see that it´s just raining?

Ain't no need to go outside










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